terça-feira, 6 de outubro de 2009

CIRCO GROCK - PONTO DE CULTURA - TERÁ QUE SAIR DE CANDELÁRIA???

O Circo Grock vai se despedir de Candelária. Há mais de um ano fixado no terreno público ao lado da Igreja de Candelária, será obrigado a encontrar outro local para os espetáculos e as aulas de circo. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), alega que o espaço é público e não pode ser usado para eventos particulares.
Artistas deram um abraço simbólico no circo na tarde de ontem, em protesto contra a remoção das instalações Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Os diretores da ONG Escola Potiguar das Artes do Circo (Epac), responsáveis pelo Grock, dizem que, em 2008, quando vieram para o local, receberam um aval, da prefeitura, que permitia a utilização do espaço até o final dos módulos de aulas. O diretor presidente da Epac, Nil Moura, diz que "eles alegam que o espaço é público e, portanto, nós não podemos utilizá-lo. Mas precisam saber que o circo é público, nós palhaços somos público e a platéia é público. Nós queremos saber o que eles entendem como público". Segundo a diretora administrativa da ONG, Gene Leão, na última terça-feira uma equipe da secretaria foi ao localpara cumprir uma decisão do órgão de retirar o circo mas ela diz que "um fiscal, ao ver que estávamos trabalhando, porque estava havendo aula, se sensibilizou e deu um prazo até domingo que vem". Ontem pela manhã, a equipe de desmonte da Semsur voltou. O prazo dado anteriormente, segudo a diretoria da Epac, pelo fiscal perdeu o valor. "Os servidores da prefeitura chegaram e começaram a desarmar e levar os equipamentos não sabemos para onde". Desmonte Foi então que os integrantes do circo resolveram pedir o apoio da comunidade artística local. "Ligamos para vários outros pontos de cultura da cidade, para que eles viessem nos ajudar nesta empreitada, que é dar continuidade ao nosso trabalho. Um trabalho cultural que vem se arrastando há mais de 20 anos. E, agora o poder público quer o direito a cultura da população," reclama Lenilton Lima, presidente da República das Artes. O desmonte foi interrompido e amanhã, as 10h, a Semsur se reunirá com os representantes do circo, onde será definido, prazo e local, para onde o circo será levando. A reunião será na sede da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. Durante toda a tarde de ontem, representantes de grupo ligados à arte em Natal estiveram no local para prestar solidariedade à Epac e protestar contra a decisão de retirar a escola de circo - que ocorre durante a semana e o lazer dos fins de semana, com os espetáculos que, segundo alguns moradores, são os únicos no bairro. Comunidade O comerciante Cláudio Roberto, 44, que reside em Candelária há 12 anos, diz que os garotos de hoje não sabem o que é cultura. Segundo ele, as crianças só aprendem brincadeiras eletrônicas como vídeo game e jogos de internet. "Gosto muito do trabalho que fazem aqui. Meus filhos, sempre que podem, durante a semana, assistem aos treinamentos e, nos fins de semana, os espetáculos," diz Roberto, se referindo ao filho Felipe Lima, de 10 anos, que acabara de chegar e a outro de 12, que ficou em casa. A mulher dele, Maria das Graças, 35, diz que o local era utilizado por jovens para usardrogas e praticar sexo. "Muitas vezes vi gente aqui usando drogas e casais transando. Para esse tipo de coisa os governos não tem solução. Agora, para uma coisa que trás cultura e diversão para a população eles querem acabar". A assessoria de comunicação da Semsur informou que os responsáveis pelo circo foram notificados várias vezes e não houve entendimeto, deles sobre a procura de um local adequado para trabalharem.

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