terça-feira, 13 de julho de 2010

Morre Mestre Lucas dos Congos de São Gonçalo do Amarante/RN

ENTREVISTA - DEÍFILO GURGEL “Grupos do RN precisam de ajuda” Além de Dona Militana temos grandes mestres do folclore potiguar vivendo à míngua. O que pode ser feito? A Lei do Patrimônio Vivo seria uma solução? Temos muitos, como o Congo de Calçola do mestre Zé Corrêa, na Vila de Ponta Negra. Mas o Congo mais bonito que já vi no Rio Grande do Norte foi de São Gonçalo do Amarante. É lindo eles dançando, com saiotes brancos rendados. Mas esse o mestre João Menino - outro mestre espetacular - morreu. Os dois guias se desentenderam e um acabou com outro. Ainda fazem uns Congos, mas não mais na Sombra, lugar de origem perto de Uruaçu, onde tem o monumento dos mártires. Levei o grupo para dançar no TAM. Foi um sucesso estrondoso. A maior ovação que já assisti no TAM; uma coisa incrível. E a Lei do Patrimônio vivo, de autoria do deputado Fernando Mineiro que deveria assistir a estes mestres e grupos? Não entrou em vigor. É uma pena. Pelos conhecimentos que tenho o folclore do RN é o mais bonito e perfeito do Brasil. Temos o Bumba meu Boi do mestre Antônio da Ladeira, de Santa Cruz. Tem outro Boi bom, em Pedro Velho, no Distrito de Cuité, comunidade Quatro Bocas. Eles são tão primitivos que quando se apresentam, Mateus e Birico vão à frente do grupo levando lampiões de querosene acesos, numa espécie de varas, como faziam antigamente quando dançavam no mato sem iluminação. Tem ainda hoje o grupo Trapará, pros lados de Macaíba e São Gonçalo. Tem o Fandango fenomenal de Canguaretama. E a Chegança, em Barra do Cunhaú que merecem atenção especialíssima. Para se ter idéia da importância, esses dois grupos seriam os primeiros indicados pela Comissão de Folclore para serem beneficiados com a Lei de Mineiro. Ou basta dizer que tempo desse vieram dois folcloristas brasileiros só para ver esses grupos; fizeram documentação, e hoje estão lá sem maiores estímulos. Não sabemos até quando resistem. Vivem de migalhas salariais. O diretor da Chegança, Valdemir Marques é humilde, mas de uma sabedoria impressionante. São três horas de apresentação e ele sabe todas as cantigas. Talvez sejam os únicos do RN. E nas condições de beleza e fidelidade às tradições, são os únicos do Brasil. Temos ainda a Lapinha - acho que a única - em Barra de Maxaranguape, de Dona Moça. E o Caboclinhos de Ceará-Mirim, de mestre Birico. Isso entre os autos. E entre as danças? Tínhamos o Bambelô, em Natal, dançado na Avenida 4, de mestre Severino Guedes, mas esse acabou. Tem o Manelo Pau, no Alto Oeste. O Côco de Roda, em Canguaretama. Em São Gonçalo há grupo tradicionalíssimo com o Espontão. Temos ainda o Bandeirinha, em Touros, e o Capelinha de Melão, em Caraúbas, que se apresentam no São João, além do Araruna daqui. São grupos e mestres que merecem melhor atenção. * Matéria publicada hoje no Diário de Natal, aqui, com o plus da entrevista de Deífilo Gurgel publicada no jornal em abril de 2009.

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