terça-feira, 14 de junho de 2011

Acendendo a brasa

Viver mais não significa necessariamente viver com qualidade. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil cada vez mais jovens senhores e senhoras conseguem aliar a passagem imperdoável do tempo com uma vida social ativa, uma agenda repleta de atividades e até continuar trabalhando após a aposentadoria.
júnior santosEliete Regina e a cantora Dodora Cardoso, no novo Violão de Ouro. Ao lado, o baile mensal da AABB, que atrai grande público de todas as idadesEliete Regina e a cantora Dodora Cardoso, no novo Violão de Ouro. Ao lado, o baile mensal da AABB, que atrai grande público de todas as idades
Foi isso que a equipe do caderno Fim de Semana constatou em uma rápida circulada por Natal em uma noite de sexta-feira. Cada vez mais homens e mulheres provam que a velhice é um estado de espírito e que a aposentadoria não combina só com agenda médica, croché, tricô, solidão e muito menos monotonia. A "nova" geração da Velha Guarda é inquieta, proativa e cheia de disposição. A cidade está repleta de opções de diversão para este segmento de público, são casas noturnas, eventos, shows e bares que têm como público-alvo senhoras e senhores dispostos a buscar a felicidade em verdadeiras Baladas da Terceira Idade. Grand Palace em novo endereço O empresário Ricardo Maia tem o perfil dessa nova fase. Ricardo acaba de reinaugurar um espaço para este nicho de público. O Grand Palace Show, que funcionava no mesanino do edifício Djalma Marainho, acaba de inaugurar seu novo espaço, no coração da Afonso Pena e já se encontra em pleno funcionamento. A casa resgatou o nome do antigo Grand Palace, um restaurante que marcou época na década de 90 em Natal por conciliar música ao vivo com um belo cardápio gastronômico. "Abrimos em abril de 2010, na sede original do antigo Grand Palace. Mantivemos o nome por causa da identidade do local, mas nos mudamos para a Afonso Pena pois a casa já estava pequena para o público e a disposição dos espaços do antigo local atrapalhava a paquera", explica. A casa tem capacidade para 300 pessoas, ambiente climatizado, telão e uma programação de música ao vivo variada e distribuída em quatro dias de funcionamento (Terça à sábado). Na terça-feira a casa ainda oferece cardápio promocional de petiscos e uísque. Diversão e Cultura "Qualidade de vida através da dança". Assim, as produtoras culturais Lourdes Peregrino e Valda Abreu resumem uma das iniciativas mais interessantes para o público mais maduro. O projeto cultura Boca da Noite mexeu com a auto-estima de um público até então carente deste tipo de programação e deu novo significado para a vida de uma comerciante e uma professora aposentadas. A programação é comandada sempre pelo som da banda Los Manos e se incrementa com apresentações de artistas da terra para apresentações culturais de teatro, dança, literatura e poesia. A idéia inicial era só organizar uma festa para que elas pudessem encontrar os amigos, se divertir e sair do ostracismo da velhice. Seis anos depois, a festa transformou-se em uma atração mensal (sempre na primeira sexta de cada mês) e as produtoras culturais fazem captação anual, via Lei Djalma Maranhão, para viabilizar recursos de todas as edições do ano. "Antes as programações da cidade eram todas voltadas para o turista, faltava opção para as pessoas da cidade. O nosso projeto busca dá visibilidade a artistas sem mídia, além de ser uma opção de diversão para a sociedade potiguar", justifica Lourdes Peregrino. Foi neste universo festivo que encontramos D. Dulce Amorim, que aos 88 anos é a freqüentadora mais assídua do projeto, presente em todas as edições dos seis anos de evento. "Não perco o Boca da Noite. Aqui me sinto feliz, disposta e cheia de disposição para viver", disse enquanto bebericava goles de uma dose de uísque e acenava para o garçon trazer a próxima. Quem também não abre mão de uma bela noitada no projeto é o casal Domingos Sávio e Marise Fernandes, que passaram a frequentar o projeto por indicação de amigos e acabaram virando o casal "pé de valsa" da festa. "O público do Boca da Noite tem um fidelidade enorme com o projeto, além de ter freqüentadores de alto nível. Música, dança e cultura acabam sendo uma motivação para sairmos de casa.", afirma a arquiteta Marise. Quem também não abre mão do programa dançante é a aposentada Lucy Pinheiro Cavalcante, que comemorou 70 anos de vida, cercada por amigas e com uma pomposa flor vermelha no cabelo. "O Boca da Noite é maravilhoso por nos ensinar a viver!" Um dos pioneiros neste filão foi a casa de show Violão de Ouro, que já se encontra com 31 anos de funcionamento. A casa mudou de local recentemente e se encontra em nova sede, localizada nas proximidades da Rota do Sol, vizinho ao Espaço 21. A história do Violão de Ouro se confunde com a história da noite potiguar e com a história de uma mulher que marcou época pelo seu trabalho e trajetória. Eliete Regina já recebeu em sua casa grandes artistas brasileiros e ainda sabe fazer uma boa noitada pra ninguém botar defeito. Além de muitas facetas (Rádioatriz, locutora, escritora...), Eliete Regina gosta mesmo é da noite, com todos os seus encantos. Nomes como Wanderléia, Martinha, Peninha, Agnaldo Timóteo, Jair Rodrigues e mais uma extensa lista exibida com muito orgulho, revelam o histórico de peso da casa. Após uma mudança ocasionada por "problemas com a vizinhança", Eliete - que não revela a idade - encontrou fôlego para a mudança e para retomar a programação da casa pouco tempo após a saída da antiga sede. "O Violão de Ouro é a minha vida. Sou uma Sacerdotisa da Noite", avisa. O novo Violão de Ouro possui ambiente climatizado, estacionamento exclusivo e uma programação de festa e shows para um público super fiel. A casa funciona nas segunda, sexta e sábados, sempre entre 21h e 00h. *http://tribunadonorte.com.br/noticia/acendendo-a-brasa/184742

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