quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DORIAN GLAY E GLORINHA OLIVEIRA, HOMENAGEADOS RECETEMENTE EM MATÉRIA DO DN

Terceira idade // Talento de sobra após os 70 anos
"Antigamente um ser humano com 60 anos de idade terminava os dias dentro de casa cuidando dos netos. Hoje o idoso cresceu, se fortaleceu e tem uma vida extremamente ativa". As sábias palavras da cantora Glorinha Oliveira, 80 anos - uma das muitas artistas idosas do Rio Grande do Norte, traduzem de maneira simples e direta
Aos 79 e em plena atividade, Dorian pinta todos os dias em seu ateliê Foto: D Luca/DN/D.A Press
a evolução do estilo de vida da terceira idade nos últimos anos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,1% da população era idosa, em 2008. No ano de 1992 a população idosa correspondia a apenas 7,9%, um aumento de 3,2%. A emancipação da mulher e a diminuição da taxa de fecundidade são alguns dos fatores que levaram a população brasileira deixar de ser jovem. Esse ritmo acelerado no crescimento da população da terceira idade fez com que instituições públicas e privadas passassem a "olhar" de forma diferenciada para essas pessoas e oferecessem cursos e atividades esportivas e culturais. Na opinião do artística plástico e escritor, Dorian Gray Caldas, os idosos tendem a procurar atividades artísticas porque despertam a criatividade. "Antes essas pessoas eram preocupadas com trabalho, filhos e não desenvolviam o lado artístico. Com a ociosidade proporcionada pela aposentadoria muitos procuram a arte e se encantam. E Natal oferece vários locais onde o idoso pode expor a arte que está em seu íntimo". O artista comenta que "muitas pessoas acham que já fizeram de tudo na vida então resolvem fazer uma atividade artística e descobrem o prazer da arte". Ele conta que descobriu esse prazer ainda na infância e agora, aos 79 anos, está em plena atividade. "Todos os dias pinto e escrevo poesias. Sou mais requisitado agora do que antes. Considero a arte um prazer, além de fazer parte diariamente da minha vida.
Início difícil
Como Dorian, Glorinha iniciou sua vida artística muito jovem, contrariando a família. Ela conta que apanhou muito da mãe para desistir da carreira. "Subia no pé de sapoti para cantar, mas minha mãe metirava de lá e sempre me batia dizendo que cantar era coisa para mulher perdida", lembra. Mesmo "remando contra a maré", aos 13 anos Glorinha resolveu aceitar a proposta de um senhor que lhe convidou para cantar em bares, restaurantes e nas ruas de Natal. "Nessa época as músicas eram transmitidas por bocas de ferro". Com o passar dos anos ela se tornou uma das maiores cantoras da época de ouro do rádio. Porém, só conseguiu gravar seu primeiro LP aos 63 anos, já na terceira idade. "Me questionava porque ainda não tinha gravado um disco, com a ajuda de amigos realizei meu sonho. Por isso acho que os idosos não devem se acovardar porque chegaram à terceira idade, mas sim, terem orgulho. Hoje aos 80 tenho cabeça de 50 anos. Acho que o idoso deve fazer tudo que tem direito: namorar, viver, dançar e até transar, por quê não?! E os que decidirem optar pela arte serão conquistados facilmente porque arte é alimento da alma".

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