sábado, 31 de julho de 2010

MARINA SILVA, ONTEM EM NATAL

Guia Dantas - repórter Com o dia de ontem reservado para expôr, em Natal, as ideias e propostas que dispõe para o caso de ser eleita presidente da República, este ano, a senadora pelo Acre, Marina Silva, evitou tecer maiores considerações sobre o espaço reservado ao Rio Grande do Norte em um possível governo do PV no Palácio do Planalto. Ela disse que não se sente enfrentando o presidente Luís Inácio Lula da Silva - “estou apenas defendendo um debate com algumas opiniões diferentes” - e assinalou que não podem ser creditadas ao governo federal “todas as responsabilidades histórias que não foram realizadas até agora” no Estado. Sobre os projetos estruturantes reivindicados pela classe política potiguar limitou-se a dizer que o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante tem que acontecer porque Natal é sede da Copa do Mundo de 2014. Aldair Dantas Marina Silva caminha nas ruas do Alecrim, ao lado da prefeita Micarla de SouzaA visita de Marina Silva à capital potiguar foi motivada inicialmente pelo encontro dos candidatos à presidência durante a programação da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ocorrida na UFRN. Entre os pleiteantes de maior viabilidade eleitoral, somente o candidato do PSDB, José Serra, não compareceu ao evento. Após defender uma ação desenvolvimentista focada na sustentabilidade, a candidata à presidência pelo PV disse ainda ser favorável a um plebiscito para decidir sobre a legalização da maconha e do aborto e, embora não seja uma defensora do casamento homossexual – ela enfatizou que segue os dogmas da igreja evangélica Assembleia de Deus, que não permite a união gay – disse ser simpática aos direitos civis para os parceiros do mesmo sexo. Ao comentar ser contrária a qualquer tipo de discriminação recebeu os aplausos da plateia de universitários. Marina Silva afirmou que saiu do Partido dos Trabalhadores face as mesmas razões pelas qual permaneceu na legenda por 30 anos. Segundo ela, há no PT, uma substancial contribuição no campo da justiça social, mas os ex-correligionários, segundo ela, não foram capazes de entender o mundo em volta e seus desafios. “Não souberam pensar de maneira sustentável”. A ex-ministra do Meio Ambiente também elogiou o governo Fernando Henrique Cardoso por ter o ex-presidente tucano criado o Plano Real. “Vou manter tanto a política econômica quanto o Bolsa Família, mas precisamos avançar muito mais”, observou. Para ela, o Brasil não precisa de visão estratégia e sim de gerentes. Ao responder perguntas da plateia que se encontrava no auditório da reitoria, na UFRN, a candidata disse ainda não concordar com a federalização do ensino básico; apontou a Reforma Agrária como necessária e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) legítimo; disse que Dilma Roussef e José Serra são muito parecidos por serem desenvolvimentistas e estrategistas e por serem focados no “eu, eu, eu..”; e defendeu também a política externa do governo Lula. Senadora destaca prioridade para a educação A palestra que teve como oradora a senadora Marina Silva foi iniciada com a leitura de um documento – assinado pela Sociedade e pela Academia Brasileira de Ciência (ABC) – cujo conteúdo apresentava um resumo dos princípios básicos propostos para a formulação do novo governo e defendidos pelas duas entidades. O documento foi entregue à ex-ministra do Meio Ambiente, da mesma forma que aconteceu quando a candidata à presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff. “O Brasil precisa de uma revolução na educação”, disse Antonio Raupp, presidente da SBPC. A ex-ministra Marina Silva assinalou que “a educação é nossa melhor companhia” e enfatizou o compromisso com a educação, com o desenvolvimento sustentável e com a proteção ao meio ambiente. Ela destacou também a importância do investimento em Ciência e Tecnologia e falou da necessidade de qualificação profissional. Candidata visita zona Norte e Alecrim A passagem da candidata à presidência da República, senadora Marina Silva, à Natal, foi cumprida pontualmente conforme agendado. Após conceder entrevista a duas rádios locais, a ex-ministra visitou a primeira “Casa de Marina” no Rio Grande do Norte - espécie de comitê eleitoral e que serve de ponto de apoio à militância – na residência de Maria das Dores Câmara, em Pajuçara, Zona Norte de Natal. “Eu me ofereci porque tive vontade. Vi pela televisão que ela é uma lutadora assim como eu”. Dorinha, como é chamada, disse que trabalha com toda a sua família no ramo de alternativos. Já são 300 residências que servem de apoio à candidatura do PV no país. Após uma breve passagem na Zona Norte, a senadora do Acre seguiu para uma caminhada que iniciou na praça Gentil Ferreira e seguiu até a avenida presidente Bandeira, no Alecrim. A militância que acompanhou era enérgica, porém, pouco numerosa. Reação do público Micarla é vaiada no auditório Os aplausos que a senadora Marina Silva recebeu da plateia que a aguardava para a palestra no auditório da Reitoria da UFRN não se estenderam a coordenadora de campanha do PV no Nordeste, a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV). Essa é a segunda vez que a chefe do Executivo Municipal participa de eventos com personalidades de renome nacional e é vaiada pela população presente. Ao ser anunciada pelo cerimonial do encontro, Micarla de Sousa preferiu não subir à mesa de autoridades e permaneceu nas poltronas onde estavam os convidados e presentes. Em junho deste ano, durante a visita do presidente Lula a Natal para a solenidade de inauguração da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Pajuçara e a entrega de ambulâncias do Samu, na Zona Norte de Natal, a prefeita da capital e o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria (PMN), foram vaiados também na ocasião. No mesmo dia, durante a assinatura do decreto de concessão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Centro de Convenções de Natal, o ato se repetiu. A assessoria da prefeita credita as vaias a membros do PT e do PSB. Bate-papo » Marina Silva - Candidata a presidente Como a senhora avalia as pesquisas que a colocam em terceiro lugar? É um momento muito positivo. Primeiro porque nós já temos três candidaturas, já introduzimos algo que é muito importante, que é a discussão de propostas. Antes os candidatos estavam querendo apenas um embate entre eles, rotulando um ao outro, de forma a desqualificar um ao outro. Eu pautei a questão da prioridade da educação, do Meio Ambiente e de que cada um deve discutir o Brasil e não o currículo e o passado dos outros. O passado de FHC e de Lula são importantes mas o futuro dos brasileiros é muito mais importante que tudo isso. E preciso discutir como é que vamos fazer para integrar as conquistas, corrigir os erros e sinalizar novos avanços. As pesquisas apontam uma forte polarização entre Dilma e Serra. É possível reverter essa tendência? Eu acho que tem uma grande possibilidade. Que o eleitor brasileiro tome essa decisão. As pessoas me perguntam isso e eu digo sempre que não tenho uma estratégia mirabolante. A única coisa que eu vou fazer é participar de todos os debates, vou apresentar ideias e propostas. E eu tenho certeza que quando elas entram em contato com as nossas mensagens, adquirem a confiança de que eu vou manter as conquistas do Plano Real, as conquistas do Bolsa Família e vou trabalhar para que corrijamos algumas mazelas. Vou trabalhar para, em parceria com os estados, valorizarmos os esforços para que educação, saúde e segurança sejam de qualidade para o cidadão. É assim que pretendo convencer os brasileiros. Como a senhora pretende ajudar o RN a reverter índices de educação, pobreza e, principalmente, em relação ao desenvolvimento? Eu disse que não tenho plano mirabolante, mas tenho estratégia, que é apostar na confiança do povo brasileiro. É pensar o desenvolvimento sustentável do Nordeste, mas não pensando isso de uma forma geral e homogênea. Aqui nós temos as especificidades do RN. Temos um problema grave de analfabetismo, na segurança, na infraestrutura e em outras questões. É preciso agir. *Fonte:http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/marina-defende-plebiscito-sobre-legalizacao-do-aborto/155649

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