sábado, 21 de maio de 2011

JOAQUIMTUR LEMBRA DA BEATIFICAÇÃO DE IRMÃ DULCE - DOMINGO 22 DE MAIO DE 2011

Pe. Vicente Laurindo de Araújo [ Vigário Paroquial de São Pedro, Alecrim ] “O Anjo Bom da Bahia”, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, será Beatificada, nesse 22 de maio de 2011, em Salvador-BA. É intenção deste artigo, enfocar, menos os traços biográficos, bastante conhecidos, da nova Bem-aventurada da Igreja do Brasil, e realçar mais aquilo que seduz o povo de Deus, na pessoa de algum dos seus fiéis, induzindo o Magistério da Igreja a declará-lo “Servo de Deus,” “Bem-aventurado” e, por fim, “Canonizá-lo” e, em situação de sapiencial beatitude, outorgar-lhe o título de “Doutor da Igreja”. O Direito Canônico, Cân. 1186, afirma: “Para fomentar a santificação do povo de Deus a Igreja recomenda a veneração especial dos fiéis à Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como para o verdadeiro culto dos santos, por quem o exemplo, os fiéis se edificam e pela interseção dos quais são santificados”. Já o Cân. 1187 precisa mais os limites e as condições propostos para o culto e veneração dos Santos: “Só é lícito venerar, mediante o culto público, aqueles Servos de Deus que foram inscritos pela autoridade da Igreja no Catálogo dos Santos ou dos Beatos”. Essa atitude sóbria, aparentemente restritiva, do Magistério da Igreja, quanto o culto devido aos Santos, revela que pode haver, entre o povo de Deus e o Magistério da Igreja, dissimetrias na percepção do que eles entendem por ‘santidade’. O “santoral” do povo de Deus se antecipa e segue critérios, menos técnicos e muito mais humanos e íntimos, próximos de suas experiências de fé e engajamento cristão, do que, aqueles exigidos pela Congregação da Causa dos Santos. Monsenhor Francisco de Assis, procurador, junto à Santa Sé, do Processo de Beatificação de Vários Servos de Deus do Nordeste, reconhece que, no caso específico do Pe. Cícero, há, por parte da Cúria Romana, resistência, mas que “ele já se tornou um ‘santo popular’, e acrescenta: “Padre Cícero é essa figura queridíssima em todo o Nordeste. As pessoas já o canonizaram”. É ilustrativo o que aconteceu, na Praça de São Pedro, por ocasião dos funerais do recém-beatificado Papa João Paulo II. Da multidão, ecoou um grito: “Santo subitto”! –‘Santo, já!’ Mas, o que é um Santo? O que, neles, tanto desperta a admiração dos seus irmãos? Santo é o que se deixa atrair por um sinal/chamado de Deus, do qual nasce a fé e, dessa, a experiência partilhada que o impulsiona para Deus e o inspira a servi-Lo, na pessoa dos irmãos. Há, aí, um desígnio misterioso de Deus. Jesus diz aos Apóstolos: “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi”. E o evangelista Marcos afirma: “Jesus escolheu aqueles que ele quis”. Se, nessa escolha, há motivações humanas, predominam as intenções reveladas pelo carisma, identificado como força motriz na vida e obra do futuro santo e que sempre apontam para razões reveladas, com fundamentos bíblicos. O livítico, em duas passagens memoráveis, indica onde se fixam as raízes da santidade: “Pois Eu sou o Senhor vosso Deus. Vós vos santificareis e sereis santos porque eu sou santo” (Lv.11,44-45), texto que inspirou a palavra de Jesus: “Sede santos como vosso Pai Celeste é Santo”. Igualmente, foi em Lv.19,18 que Jesus fundamentou o “seu Mandamento”: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo, eu sou o Senhor”. No Antigo Testamento da Lei e dos Profetas nascem o manancial donde afluem os modelos maiores de sabedoria e santidade, os quais confluem para a perfeição acabada, que nos adveio na “Plenitude dos Tempos,” Jesus Cristo, a “Porta” que nos leva ao Pai, na ação e força do Espírito Santo. Pois bem, aquele criança, que nasceu, no dia 26 de maio de 1914, em Salvador, e passou à casa do Pai, no dia 13 de maio de 1992, viveu uma trajetória de admirável simplicidade e de amor heróico, porque escolheu servir a Cristo nos últimos, nos seus menores, nos mais sofridos, cf. Mt. 25,34-40. A Congregação da Causa dos Santos, definiu, com muita fidelidade, quem foi Irmã Dulce: “A sua vida foi uma confissão do primada de Deus e da grandeza do homem filho de Deus, até mesmo onde a imagem divina parece obscurecida, degradada e humilhada.” Que a Beata Irmã Dulce, inspire-nos a Caridade Heróica!

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