domingo, 10 de julho de 2011

Ventos que movem o RN

Bons ventos devem soprar no Rio Grande do Norte nos dias 17 e 18 de agosto, data do leilão de energia promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e que deve trazer grandes investimentos para o estado no segmento de eólica. A expectativa dos empresários do setor é que sejam contratados de 600 a 800 megawatts (MW) de energia, o que levaria o estado a sair dos atuais 1,6 gigawatts de capacidade instalada para 2,4 gigawatts de potência. O Leilão de Reserva, a ser realizado no dia 18, será disputado exclusivamente pelos empreedimentos voltados para as fontes eólica e biomassa. Segundo o levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estão cadastrados para estas fontes projetos que somam mais de 15 mil MW em capacidade instalada.
Foto:Ana Amaral/DN/D.A Press
De acordo com o presidente do Comitê de Energia Renovável e Meio Ambiente, Sérgio Azevedo, o Rio Grande do Norte é o campeão em projetos de energia eólica habilitados para o leilão. "Fomos o estado com a maior quantidade de projetos aprovados nos dois últimos leilões e acredito que agora será concretizado o que os empresários do setor esperam. Tenho certeza que teremos êxito e muitos desses projetos serão instalados aqui em 2011. A expectativa é que sejam contratados algo em torno de 600 a 800 MW", afirmou. Os leilões estavam inicialmente marcados para julho, mas o volume de projetos cadastrados surpreendeu o governo e atrasou o cronograma por conta da necessidade de análise pela EPE. Segundo o diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, Jean Paul Prates, existem, atualmente, 55 projetos relacionados a energia eólica em construção no RN, o que soma 1.800 MW de capacidade instalada. "O Ceará está em segundo lugar e, embora tenha mais projetos em operação, possuem 866 MW outorgados. Passamos o Ceará no ano passado e hoje o Rio Grande do Norte é o maior polo de energia eólica do país. Isso é uma realidade", declarou. Jean Paul lembrou que em 2003, o RN nada produzia e hoje é autosuficiente no segmento. No entanto,segundo Jean Paul, existem alguns desafios a serem superados, alguns comuns a outros estados e outros exclusivos do Rio Grande do Norte. "Um problema específico do nosso estado é a instalação de um polo industrial com fábricas de equipamentos para as usinas e isso só será possível com acesso portuário. O estado concorre e sai perdendo, nesse sentido, para o Ceará, que tem o porto de Pecém, e Pernambuco, como porto de Suape. O RN não é pior que nenhum estado, mas perde em virtude dessa falta de acesso portuário", disse o especialista. Outro desafio, na opinião do especialista, está relacionado à logística de transmissão dessa energia. "Precisamos escoar essa produção. Vamos chegar em 2014 com 2 mil MW de energia assegurados, em capacidade instalada. Por isso precisamos dessas linhas de transmissão o mais rápido possível", afirmou. O terceiro desafio a ser vencido são os acessos internos. "Não temos estradas adequadas para o escoamento de máquinas, dos aerogeradores", alerta. Além desse desafio, existem outrosque estão presentes em todo o Brasil. Segundo Jean Paul, a maior é a capacitação de mão-de-obra qualificada. "Isso está sendo tratado e é algo compreensível, pois é um setor novo. No caso do petróleo aconteceu o mesmo. Não existia gente capacitada fora da Petrobras e depois foram se formando escolas técnicas, cursos de capacitação e hoje há um mercado consolidado nessa área de petróleo. No setor eólico, em função da rapidez da evolução, de repente tínhamos muitos MW para construir e pouca gente para trabalhar", disse. Outro entrave a ser superado são as fontes de financiamento. "Temos o Banco do Nordeste e o BNDES como grandes atores, mas sabemos que eles também tem capacidade limitada, pois existem outros projetos. É preciso pensar em alternativas, criar um fundo de investimentos e financiamentos diretos", afirmou. Linhão O desafio das linhas de transmissão pode estar com os dias contados, segundo o presidente do Comitê de Energia Renovável e Meio Ambiente, Sérgio Azevedo. Será apresentado, amanhã, na Chesf em Recife, um projeto - orçado em R$ 600 milhões -, para a construção de uma linha de transmissão ligando os estados do Piauí e Pernambuco. "O projeto será apresentado pela Federação das Indústrias do RN - Fiern - junto com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica). Esse trabalho foi apresentado ao Ministério de Minas e Energia e esse "linhão", como chamamos, certamente ajudaria a solucionar esse problema de distribuição da energia. Temos um diferencial com relação a qualidade do nosso vento, mas o problema é a capacidade de transmitir o que produzimos", afirmou.

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