quinta-feira, 9 de julho de 2009

VALEI-ME, SÃO CASCUDO!!!

Por essa, nem o mais fanático pesquisador da obra cascudiana esperava. Depois ser elevado à condição de mito, o historiador potiguar Luís da Câmara Cascudo virou santo. A “canonização” se deu em agosto passado, na cidade de Belo Horizonte, durante o Simpósio Internacional dos Contadores de Histórias. Desde então, São Cascudo passou a ser o santo padroeiro da tradição oral brasileira. O pai da idéia é o Instituto Cultural Aletria - projeto que existe oficialmente há um ano, em Minas Gerais, com a proposta de divulgar a contação de histórias no Brasil. Dhaliana Cascudo, neta do folclorista e coordenadora do Memorial que o homenageia no Centro de Natal, diz ter certeza das palavras que ouviria do avô se ele ainda estivesse por aqui: “Era só o que faltava, mesmo. Eu virar santo!”. A turma mais conservadora que gosta de reclamar só não pode dizer que houve bairrismo. Isso porque, segundo o coordenador de comunicação do Aletria, Marcelo Almeida, Cascudo desbancou, entre outros concorrentes, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Além do título de santo, o Instituto ainda criou uma oração especial e uma pequena imagem de São Cascudo. Tudo bem brasileiro. “A inspiração surgiu do pessoal da música, que elegeu Pixinguinha como santo. A obra de Câmara Cascudo é importante não apenas para os contadores de história, mas para a tradição oral brasileira. A gente estava buscando uma pessoa que representasse isso. Na verdade, o nome e a obra de Cascudo são tão significativos que, em vez de elegê-lo como santo dos contadores de história, esse título abrange a tradição oral como um todo”, explica.A brincadeira também teve influência nos títulos que, vez por outra, aparecem agregados a personalidades brasileiras. “O Brasil tem tantos reis! É rei Pelé, rei Roberto Carlos, rainha Xuxa... quando o Taffarel jogava pelo Atlético/MG era conhecido como São Taffarel, também tinha o Rei-naldo... a gente não quer comparar, mas buscamos alguma coisa dentro dessa idéia”, admite. Almeida defende que embora a contação de histórias esteja presente na tradição do país, a profissionalização da função ainda é um objetivo a ser alcançado. “Cresci ouvindo histórias dos meus pais, do professor, das tias, da avó, da empregada... isso é muito forte conosco. O problema é que ainda não foi reconhecido”, disse.Fonte inesgotávelPara o diretor geral da Trotamundos Companhia de Artes, Beto Vieira, a homenagem é mais que merecida. Principalmente porque tem a cara do Brasil. “Onde ele estiver, deve estar dando um sorriso de orelha a orelha, assim como nós estamos dando aqui. Para ele, é uma homenagem tipicamente do povo brasileiro. O princípio de Cascudo e de toda a trajetória cascudiana foi a partir das contações de histórias que, quando pequeno, ele ouvia da babá, dona Bibi. Aí ele desencadeia todo o percurso, o estudo da alma brasileira”, analisa.A Trotamundos - companhia criada há sete anos com o objetivo de trabalhar na linha da contação de histórias - vem atuando desde fevereiro no “Casa de Contos” - projeto patrocinado pelo Banco do Nordeste (BNB), orçado em R$ 10 mil, que prevê quatro rodas de contação de histórias gratuitas por mês na casa onde morou o Câmara Cascudo. A maioria do público é formado por crianças e jovens das escolas de Natal. “Quando a Trotamundos nasceu já pensávamos em trabalhar com a cultura do povo. Enxergávamos na obra de Cascudo uma fonte inesgotável e, como estava dando sopa, aproveitamos”, disse. Rafael Duarte - Repórter *Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticias/52480.html VIVER _ 12/09/2007 - Tribuna do Norte
E no último Sábado dia 4 de Julho de 2009,lí uma notícia no blog de Sérgio Vilar, que me fez levantar os cabelos!!! o título era assim: A mulher que matou Cascudo A vida reserva surpresas. Descobri ontem que a empregada que trabalha há 20 anos lá em casa cozinhou também para o mestre Câmara Cascudo, nos últimos três meses de vida do folclorista.A informação tardia me foi dada por acaso. Estou de mudança novamente (terceira vez em um ano e meio). Quando dona Eliane passava um pano nos meus Dvds viu o documentário sobre Cascudo e disse: "Trabalhei na casa desse homi".Depois de recolocar meu queixo no lugar certo, pedi pra ela repetir: "Foi. Eu substitui uma menina que trabalhava lá". Perguntei se era Francisca, pois sabia que o filósofo das ruas, Helmut, teve caso com ela. Eliane disse: "Isso mesmo".O pior veio a seguir. Pelo que sei, Cascudo estava impedido ou recomendado de não comer ou exagerar nos doces devido os vários problemas que enfrentava no fim da vida, já aos 87 anos. E Eliane me diz que ele adorava os quindins que ela fazia.Chego a uma conclusão: Eliane matou Cascudo. Sem querer, claro. E o mestre deve ter morrido feliz, como passou toda a vida. As mãos de cozinheira de dona Eliane são divinais! Postado por Sérgio Vilar às 11:31
* Na foto histórica, ao lado do Avó o neto Newton Cascudo.

Um comentário:

  1. O Instituto Aletria se apropriou de um bordão de uso há mais de doze anos em comunidades e grupos de discussão (uma delas frequentada durante muito tempo por Rosana Montalvern, coordenadora do Aletria) louvando o Mestre Cascudo como padroeiro dos contadores de histórias. Fica no ar uma aula de como não deve proceder um pesquisador da literatura oral.

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