quinta-feira, 12 de novembro de 2009

RELIGIOSIDADE - Descoberta a Sinagoga de Jesus e Madalena

Arqueólogos encontram as ruínas de um dos mais antigos templos de Israel na região em que viveram Cristo e uma de suas discípulas
Fabiana Guedes
A partir de ruínas, e somente de ruínas, imagine um amplo local de 120 metros quadrados, chão repleto de mosaicos, paredes cobertas por afrescos. Pense que, em seu interior, há compridos e sólidos bancos de pedra. Ao centro, visualize um outro bloco de pedra, esse adornado com diversos símbolos e dizeres em hebraico, como se fosse algo sagrado. Imagine, ainda, que todo esse espaço se trate de uma sinagoga da época que é historicamente chamada de Período do Segundo Templo de Jerusalém - local de culto e de orações no qual o povo judeu erigiu monumentos como marco de seu regresso a Jerusalém ao final do exílio na Babilônia. Esse exercício de imaginação pode aproximar, mentalmente, quem o fez daquilo que os arqueólogos descobriram na semana passada: "um dos mais raros e importantes tesouros para o conhecimento humano", nas palavras da pesquisadora e arqueóloga israelense Dina Avshalom-Gorni. "Trata-se de um achado único e excitante", diz ela.
Numa estimativa com a qual concordam historiadores e teólogos, as ruínas do templo, agora localizado, datam do ano 50 a.C. ao ano 100 da Era Cristã. Mais: elas trazem fortes indícios arqueológicos e geográficos de ser parte de um templo que era frequentado por Jesus e Madalena - a prostituta que, segundo a tradição católica, ele salvou da lapidação e não julgou nem condenou. "Estou convicta de que localizamos a mais antiga das sete sinagogas construídas pelos judeus ao longo do Período do Segundo Templo", diz a pesquisadora Dina.
As ruínas foram descobertas na cidade de Migdal, ao norte de Israel e às margens do Mar da Galileia. O seu nome provém do aramaico (Magdala). Esse local, segundo teólogos e historiadores, seria a terra natal de Madalena, tanto que é vastamente citado nas escrituras judaicas e nas cristãs. Também nas pesquisas e estudos sobre Maria, a mãe de Jesus, a região de Magdala surge diversas vezes como importante referência da trajetória de Cristo e daqueles que o seguiam. A cerca de sete quilômetros de Migdal - do ponto, portanto, em que foi descoberta a sinagoga - havia a cidade de Cafarnaum, onde Jesus teria se fixado por um determinado período de sua vida. Todas essas informações contribuem para que se concretize a hipótese de que o templo era frequentado por ele. Há um ponto especial: a parte superior da pedra encontrada ao centro do salão principal está talhada com ânforas (vasos antigos de origem grega) e menorá: candelabro de sete velas, símbolo do judaísmo e emblema nacional de Israel. De acordo com os pesquisadores, essa é a primeira vez que a imagem de um menorá é encontrada em escavações fora do território de Jerusalém. Para o cientista Shuka Dorfmann, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel, as ruínas dessa sinagoga "são de grande interesse para o mundo judaico" e "deverão ser estudadas com critério, já que tudo leva a crer que Jesus pisou aquele chão".
Como já aconteceu e segue ocorrendo na ciência, grandes avanços se dão muitas vezes por obra do acaso. Na verdade, chegou-se a essa sinagoga em meio às obras do projeto do Magdala Center, um mega-hotel que hospedará os peregrinos que visitam Jerusalém. O projeto entrou em pauta em 2004 para atender ao desejo do então papa João Paulo II, que idealizava o congraçamento das religiões na cidade de Migdal. Desenvolvido agora pela Autoridade de Antiguidades de Israel, tem o apoio de milhares de cristãos em todo o mundo e sua inauguração está programada para 2011. O Magdala Center contará com um departamento de multimídia para divulgar o cristianismo por meio de novas tecnologias. Também na semana passada, o governo israelense determinou que as escavações na área da sinagoga continuem e que todas as descobertas arqueológicas sejam incorporadas a tal projeto. "Eu sabia que a cidade de Migdal era um lugar santo e sempre tive o pressentimento de que seria um local especial para os peregrinos de diversas religiões. O templo descoberto é maior que nossa expectativa e espero que ele inspire o ecumenismo", diz Juan Maria Solana, diretor do Instituto Pontifício Notre Dame de Jerusalém.
*Fonte:http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2080/artigo152187-1.htm

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