quarta-feira, 22 de junho de 2011

A carência como regra do jogo(ÚLTIMA PARTE)

Os funcionários da Escola Estadual Raimundo Soares, em Cidade da Esperança, fazem o que é possível para garantir um mínimo de ensino digno aos 870 alunos matriculados nos três turnos. O índice de reprovação, de 29,8%, mostra que essa é uma tarefa hercúlea. Há grande evasão dos alunos do turno noturno, especialmente quando eles mudam de emprego ou de bairro. A escola também sofre com a violência e a falta de infraestrutura adequada. O lixo e o mato tomam conta da área onde fica a quadra de esportes, as salas são decoradas com motivos juninos apenas com material reciclável, o laboratório de ciências têm equipamentos ultrapassados e o laboratório de informática, que tem 10 computadores, conta com apenas dois funcionando. "Apesar disso, os educadores são comprometidos. Fazemos muitos sacrifícios, mas todos querem uma educação de qualidade", declarou a diretora da escola, Maria Divanilza de Medeiros. Na última reunião de pais da escola, foram convidados 140 representantes familiares. Apenas 40 compareceram. "Infelizmente as famílias são ausentes, não acompanham a vida escolar dos filhos. As tarefas que encaminhamos para casa normalmente voltam sem ser realizadas", relata a coordenadora pedagógica, Regina Célia do Nascimento. A Raimundo Soares sobrevive com o pouco recurso que vem dos governos Estadual e Federal. Trimestralmente é destinada uma verba de R$ 2.287,50, do Programa de Autogerenciamento de Unidade Executora (Pague), destinado a despesas como gás, limpeza e reparos necessários, além do dinheiro que advém dos projetos encaminhados pela escola ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDDE). "No último que aprovamos, a escola recebeu R$ 34 mil, destinado a custeio (material didático) e capital (maquinário, computadores, armários)", disse Nazaré Negreiros, coordenadora financeira. Do dinheiro que veio do PDDE, a escola conseguiu promover um curso de capacitação para os professores. Pouco se pode fazer, no entanto, no que se refere a itens essenciais para elevar os percentuais de aprovação. Contratar professores, por exemplo, é uma atribuição da Secretaria de Educação, e não da escola. "Temos déficit de professores. Os alunos só não estão sem aulas porque vieram alguns temporários e estagiários, e porque a maioria não aderiu à greve", destacou a diretora Divanilza. Cledna Dias, professora de Ciências, disse que outra triste realidade da rede pública é o desvio idade-série. "Tenho uma aluna, no 5º ano, que tem 14 anos de idade e que engravidou. Ela deixou de vir à escola porque ficou com vergonha. Entramos em consenso e percebemos que não poderíamos entrar em greve por medo da fuga dos alunos. Temos muito poucos e não podemos perdê-los". Rafael Anderson, professor voluntário de xadrez na Escola Raimundo Soares, também não perde o ritmo de ensino, apesar da falta de estrutura para suas aulas, dadas no refeitório. "Alguns estão bem adiantados. Não a nível de competição, mas aos poucos estamos tentando chegar lá".
ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO GESTÃO Escolas estaduais Quase sem planejamento, sem clareza de metas e resultados. Foco massificado Escolas particulares Planejamento e monitoramento de resultados. Foco na escola CUSTO ALUNO Escolas estaduais Não há clareza. Não há orçamento nem política de investimento por escola Escolas particulares Em geral é feita, com medidas cabíveis para aqueles que não respondem positivamente AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Escolas estaduais Pouca avaliação de desempenho dos profissionais Escolas particulares Definido valor da anuidade escolar e o orçamento, tendo em vista os investimentos necessários CONTRATAÇÕES Escolas estaduais Os concursos públicos são massificados. As contratações são aleatórias, sem possibilidade de avaliar a prática do profissional Escolas particulares Profissionais selecionados de acordo com o perfil que a escola necessita. Seleção envolve prática FAMÍLIA Escolas estaduais Em geral há apatia, acomodação das famílias dos alunos Escolas particulares Famílias cobram resultados, qualidade dos serviços INFRAESTRUTURA Escolas estaduais Falta de professores e infraestrutura adequada. Tecnologia obsoleta Escolas particulares Pouco risco de faltar professores. Infraestrutura é objeto de atenções permanentes, inclusive modernização tecnológica DIAS LETIVOS Escolas estaduais 200 dias letivos, quase sempre com um percentual comprometido Escolas particulares Não há greves. Os 200 dias letivos são cumpridos
http://www.diariodenatal.com.br/2011/06/19/cidades1_3.php

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